sexta-feira, 5 de junho de 2020



Que tempo é esse
Que me pede a vida
Pra repensar a forma, o jeito, a lida
Que me relembra o breve
Mas também o infinito
Que me detém à força
Pra me deixar mais leve
Mais humano, mais bonito

Que tempo é esse
Que me permite o agora
Pra refazer o caminho
Propor uma nova hora
Que me convida pra ser gente
Mais humano, mais presente
Pra quando o amanhã chegar
Eu já não seja só o ter
Eu tenha tempo pra te dar
Eu tenha tempo pra viver



Quisera eu mudar
O sentimento que machuca
O pensamento corrosivo
O jeito que aparenta
Pelo amor que educa
Por um novo pensar
Deixando de aparentar
Para finalmente ser
O que só o ser livre é capaz de viver
Sem pesos pra carregar
Porque o amor é leve
Porque no mundo, a vida é breve
Porque ao voltar pra casa
Quero levar a mudança
De quem aprendeu
A finalmente amar





Terra mãe
Que ao teu filho acolhe
Recolhe ao peito materno
Os medos, as dores, a vida
Daqueles a quem a partida
No teu seio viram semente
Fazendo brotar na gente
A saudade da história
Que tem nome, tem memória
Que mesmo simples e comum
Na plantação de quem ama
Não é apenas mais um



Encontrar a si
É encontrar o outro
Pois é nele que eu vivo
E vivo, sou capaz de amar
Sou capaz de ser
De sonhar
E mesmo que seja em sonho
Porque é no sonho que tudo começa
Viver em um mundo
Onde a humanidade desperta
Deixa a porta aberta
E te convida para entrar
Porque sabe quem vai receber
Porque sabe o que vai dar
Porque sabe que nesse mundo
O amor já não é comercial
É vivo, é pleno, é real



quinta-feira, 14 de maio de 2020




                         Sobre o que vamos falar
                         Quando a cortina se abrir
                         Quando a luz acender
                         Quando a plateia voltar


Qual projeto vale a pena
Qual a próxima cena
Melodia ou poema
Que teremos pra mostrar

Que resposta vamos dar à vida
Ao reencontro e à partida
Ao novo recomeçar 


                         Que seja plena e sensível
                         Ao que se vê, ao invisível
                         Simplesmente incrível
                         Como a arte de amar

terça-feira, 12 de maio de 2020




Hoje o poeta cala
E no silêncio transborda
No pranto da mais pura fala
No sono de quem não acorda

Hoje o poeta cala
Porque calado sua voz
Expressa a dor que abala
Sentida por todos nós

Hoje o poeta cala
Pra que se possa ouvir
Aquilo que vem de dentro
E que nos faz refletir
Quero ser aquele que fere,
Ou aquele que vai se ferir?

Hoje o poeta cala
Pra que eu possa escolher
Entre a espada e a cruz
Entre a sombra e a luz
Qual dos dois é viver

sexta-feira, 8 de maio de 2020




O meu amor
Na parcela ou debitado
Lembrancinha ou ostentado
É medido pelo custo
No valor do que é justo
E do quanto eu posso dar

E nessa barganha afetiva
Que define o valor
Do quanto a gente se ama
Do que representa o amor
Às vezes a gente esquece
De agradecer numa prece
Obrigado, Senhor!

Pelo simples, pelo belo
Pelo aconchego materno
Por me fazer entender
Que a maior gratidão
Não tá no pacote bem feito
Tá no dia a dia, no jeito     
De como se faz a entrega
Do presente que se carrega
Guardado dentro do peito