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segunda-feira, 5 de abril de 2021


 


Meio isolado
Mobilizado
Indignado
Mudado
Seguimos meio
Porque o inteiro é compromisso
É ter cuidado, estar de frente
Para descobrir que a gente
Só é pleno quando enxerga
Que plenitude é entrega
Sem medo, sem receio
Pois quem ama não é meio

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

 

De que matéria somos feitos

Ao ver a rua e os leitos

Gritarem a sua dor

Indiferentes à vida

Daqueles que sem saída

Já não tem voz nem valor

 

Em que miséria vivemos

Se mesmo tendo não temos

E muito e nada é verdade

Entre o dizer e o fazer

Daquilo que se quer ser

E o que é de fato humanidade


sexta-feira, 5 de junho de 2020


O dia de hoje conta
O tanto que já vivi
O tempo do recomeço
Do amanhecer que nasci
O quanto que foi tropeço
E tudo que aprendi
Ao longo dessa jornada
Nos sonhos do verso em canto
A cada partida e chegada
No sorriso e no pranto

O dia de hoje ensina
Que acordar novamente
É renascer outra vez
E esse é o grande presente
Porque no aniversário da vida
Todo dia é nascimento
Bendita oportunidade
De agradecer o momento
De se fazer diferente
Olhar pra dentro da gente
Pra ver o lado de fora
E no tempo do agora
Fazer o bem que eu não fiz
Pra que o mundo a minha volta
Seja livre da revolta
E assim seja mais feliz




A dor do parto nos lembra
A igualdade da vida
Chorando chega-se a ela
De forma nua e sentida
Do ventre aos braços que vela
A criança já nascida
Pra ter no tempo presente
Que a dor que em mim é doída
Todo mundo também sente



Estampada a vida
Mas também a morte
De poucos que tem saída
De muitos a quem o corte
É feito com precisão
Pela pele
Pelo bolso
Pela ideia
Por religião
Já não há como não ver
O que é bom
O que é mau
O que é pra poucos
E o que é geral
Já não há como negar
Que a falta de empatia
Transforma o belo em agonia
Coloca em xeque a humanidade
                                                                                    Que precisa escolher
                                                                                    Se vive a dor da maldade
                                                                                    Ou se pelo amor quer viver






O traço da ponta fina
Define o escritor
Na letra juntando sina
No verso feito menina
Chorando por seu amor
Na contação de uma história
Palavra viva tecida
Em trama de dor e glória
Poema feito memória
Colorindo a nossa vida



Que tempo é esse
Que me pede a vida
Pra repensar a forma, o jeito, a lida
Que me relembra o breve
Mas também o infinito
Que me detém à força
Pra me deixar mais leve
Mais humano, mais bonito

Que tempo é esse
Que me permite o agora
Pra refazer o caminho
Propor uma nova hora
Que me convida pra ser gente
Mais humano, mais presente
Pra quando o amanhã chegar
Eu já não seja só o ter
Eu tenha tempo pra te dar
Eu tenha tempo pra viver



Quisera eu mudar
O sentimento que machuca
O pensamento corrosivo
O jeito que aparenta
Pelo amor que educa
Por um novo pensar
Deixando de aparentar
Para finalmente ser
O que só o ser livre é capaz de viver
Sem pesos pra carregar
Porque o amor é leve
Porque no mundo, a vida é breve
Porque ao voltar pra casa
Quero levar a mudança
De quem aprendeu
A finalmente amar





Terra mãe
Que ao teu filho acolhe
Recolhe ao peito materno
Os medos, as dores, a vida
Daqueles a quem a partida
No teu seio viram semente
Fazendo brotar na gente
A saudade da história
Que tem nome, tem memória
Que mesmo simples e comum
Na plantação de quem ama
Não é apenas mais um



Encontrar a si
É encontrar o outro
Pois é nele que eu vivo
E vivo, sou capaz de amar
Sou capaz de ser
De sonhar
E mesmo que seja em sonho
Porque é no sonho que tudo começa
Viver em um mundo
Onde a humanidade desperta
Deixa a porta aberta
E te convida para entrar
Porque sabe quem vai receber
Porque sabe o que vai dar
Porque sabe que nesse mundo
O amor já não é comercial
É vivo, é pleno, é real



quinta-feira, 14 de maio de 2020




                         Sobre o que vamos falar
                         Quando a cortina se abrir
                         Quando a luz acender
                         Quando a plateia voltar


Qual projeto vale a pena
Qual a próxima cena
Melodia ou poema
Que teremos pra mostrar

Que resposta vamos dar à vida
Ao reencontro e à partida
Ao novo recomeçar 


                         Que seja plena e sensível
                         Ao que se vê, ao invisível
                         Simplesmente incrível
                         Como a arte de amar

terça-feira, 12 de maio de 2020




Hoje o poeta cala
E no silêncio transborda
No pranto da mais pura fala
No sono de quem não acorda

Hoje o poeta cala
Porque calado sua voz
Expressa a dor que abala
Sentida por todos nós

Hoje o poeta cala
Pra que se possa ouvir
Aquilo que vem de dentro
E que nos faz refletir
Quero ser aquele que fere,
Ou aquele que vai se ferir?

Hoje o poeta cala
Pra que eu possa escolher
Entre a espada e a cruz
Entre a sombra e a luz
Qual dos dois é viver

sexta-feira, 8 de maio de 2020




O meu amor
Na parcela ou debitado
Lembrancinha ou ostentado
É medido pelo custo
No valor do que é justo
E do quanto eu posso dar

E nessa barganha afetiva
Que define o valor
Do quanto a gente se ama
Do que representa o amor
Às vezes a gente esquece
De agradecer numa prece
Obrigado, Senhor!

Pelo simples, pelo belo
Pelo aconchego materno
Por me fazer entender
Que a maior gratidão
Não tá no pacote bem feito
Tá no dia a dia, no jeito     
De como se faz a entrega
Do presente que se carrega
Guardado dentro do peito





Qual presente é mais importante:
Uma pérola ou um barbante?
Como se faz pra medir
O tamanho de um sentimento,
Aquilo que tá por dentro
E que nos leva a sentir?
Como expressar gratidão
E o quanto eu tenho apreço
Se o tanto que agradeço
Está ligado a um cifrão?
Quanto custa pra mostrar,
Qual o preço do amar,
Qual de fato é o valor?
O que tá na etiqueta
Ou o que tá no amor?




Quando voltar pra casa
Quero encontrar a mim mesmo
No silêncio do pensamento
No aconchego do peito
No mais simples sentimento
Sem efeito ou maquiagem
Tendo o tempo na bagagem
E a vida que foi vivida
A me olhar bem de frente
E sem palavras me dizer
Valeu a pena a viagem
Valeu a pena viver




                                                         Divididos pelas cores
Por ideias, gosto, amores
Na disputa pelo ter
Por quantia, por querer
Esquecemos de olhar pra frente
Esquecemos de ser gente
Esquecemos de apenas ser

Deixamos de caminhar
Pelo peso acumulado
Com aquele que tá do lado
Pronto pra ajudar

E nessa parada cardíaca
Estacionado em nós mesmos
Mais longe fica a chegada
E só a dureza da estrada
Pra nos fazer entender
Que o segredo de viver
É amar, antes de ser amado




              A cada dia sua jornada
              A cada homem sua estrada
              A cada passo sim ou não

              Ficar ou seguir em frente
              Tá sempre dentro da gente
              No silêncio da solidão

              Que faz da paz o caminho
              Que nunca te deixa sozinho
              No templo do coração




A linha nem sempre é reta
     O tempo nem sempre é tanto
          Desejo nem sempre é meta
               O choro nem sempre é pranto
                                    A reta na curva some
                                       Tempo é puro sentimento
                                            A meta tem sempre fome
                                                 E o pranto às vezes tá só dentro






Na tormenta, calmaria
Na tristeza, alegria
Matou a morte
Foi forte
Conquistou pelo amor
Com a força da caridade
Trouxe a todos liberdade
E o caminho mostrou
Pra quem a Deus quer chegar
Basta apenas caminhar
Amando como Ele amou