O
CIRCO
Quando cheguei na frente da sala, encontrei uma fila formada diante de uma bilheteria sobre uma mesa, que não devia medir mais do que trinta centímetros.
Um cartaz na parede dava as
instruções: Faça fila e aguarde a bilheteria abrir.
Sobre a porta da sala, que
lembrava um céu brilhante e cheio de estrelas, estava o letreiro que dizia:
Circo das Estrelas.
De dentro da sala dava pra
ouvir uma música.
De repente a porta, que
estava chaveada se abriu. A fila se desfez na mesma hora.
Era a professora Lúcia
disfarçada de palhaça; dava pra reconhecer por detrás do nariz vermelho. Ela
subiu em um cubo que estava ao lado da porta, ergueu os braços e falou:
– Bom dia, criançada!
– BOM DIA!
– Quem quer assistir ao
espetáculo do Circo das Estrelas?
– EEEEEUUUU!!!
– Então não saiam da fila –
a fila voltou a se arrumar. Dentro de cinco segundos a bilheteria vai abrir e
vocês poderão comprar seu ingresso!
– Mas eu não tenho dinheiro!
Bastou a turma ouvir aquela
frase e a confusão estava formada.
A professora-palhaça ou
palhaça-professora ergueu um pequena faixa escrita “ATENÇÃO!” e, aos poucos
todos pararam para ouvir.
– Este não é um circo comum.
O ingresso não pode ser comprado com dinheiro...
– Se não é com dinheiro,
como a gente vai comprar?
– Vocês deverão trocar o
ingresso por algo que julguem ter valor para isso.
– Qualquer coisa?
– Qualquer coisa que tenha
valor para você! Uma última informação antes de abrirmos a bilheteria: não
serão aceitos pagamentos iguais; por exemplo, se o colega pagar o ingresso com
um lápis, ninguém mais poderá pagar com lápis, entenderam?
Todo mundo começou a
procurar nas suas mochilas alguma coisa que pudesse trocar pelo ingresso. A
bilheteria abriu. O primeiro da fila era o Thiago.
– Eu tenho um lápis. – disse
entregando um lápis de cor branco.
A bilheteira-palhaça-professora
examinou o lápis e olhando para o Thiago disse com um leve sorriso:
– Muito original! Aqui está
o seu bilhete. Aguarde na fila em frente à porta do Circo.
Colocou o lápis em uma caixa
sobre a mesa, ao lado da bilheteria e continuou:
– Próximo!
– Eu tenho um apontador para
o seu lápis.
– Interessante!
E assim a fila seguiu...
– Próximo!
– Uma colher de plástico de
festa de aniversário.
– Uma caneta sem tinta.
– Um laço de cabelo.
– Uma bolinha de papel.
– Um anel.
– Um desenho.
Estava chegando a minha
vez...
– Próximo!
Era eu.
– O que você tem pra mim,
garoto?
– Não sei se a senhora vai
aceitar como pagamento... mas eu gostaria de lhe dar um beijo.
– E como eu não poderia
aceitar!
Dei um beijo na bochecha da
professora-palhaça-bilheteira, ela me entregou o ingresso e quando eu estava me
virando ela disse:
– Espere!
Eu me voltei para ela, que
falou:
– Você não pegou o troco. –
disse isso abrindo os braços.
Eu fui até ela e recebi um
grande e gostoso abraço.
– Agora pode ir.
Fiquei emocionado!
– Próximo!
Fui para a fila e fiquei
esperando com meus colegas. Estávamos ansiosos para ver o que nos aguardava.

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