sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Episódio 11 - Vol. 1 - O Circo



                                                            O CIRCO

Quando cheguei na frente da sala, encontrei uma fila formada diante de uma bilheteria sobre uma mesa, que não devia medir mais do que trinta centímetros.
Um cartaz na parede dava as instruções: Faça fila e aguarde a bilheteria abrir.
Sobre a porta da sala, que lembrava um céu brilhante e cheio de estrelas, estava o letreiro que dizia: Circo das Estrelas.
De dentro da sala dava pra ouvir uma música.
De repente a porta, que estava chaveada se abriu. A fila se desfez na mesma hora.
Era a professora Lúcia disfarçada de palhaça; dava pra reconhecer por detrás do nariz vermelho. Ela subiu em um cubo que estava ao lado da porta, ergueu os braços e falou:
 – Bom dia, criançada!
– BOM DIA!
– Quem quer assistir ao espetáculo do Circo das Estrelas?
– EEEEEUUUU!!!
– Então não saiam da fila – a fila voltou a se arrumar. Dentro de cinco segundos a bilheteria vai abrir e vocês poderão comprar seu ingresso!
– Mas eu não tenho dinheiro!
Bastou a turma ouvir aquela frase e a confusão estava formada.
A professora-palhaça ou palhaça-professora ergueu um pequena faixa escrita “ATENÇÃO!” e, aos poucos todos pararam para ouvir.
– Este não é um circo comum. O ingresso não pode ser comprado com dinheiro...
– Se não é com dinheiro, como a gente vai comprar?
– Vocês deverão trocar o ingresso por algo que julguem ter valor para isso.
– Qualquer coisa?
­– Qualquer coisa que tenha valor para você! Uma última informação antes de abrirmos a bilheteria: não serão aceitos pagamentos iguais; por exemplo, se o colega pagar o ingresso com um lápis, ninguém mais poderá pagar com lápis, entenderam?
Todo mundo começou a procurar nas suas mochilas alguma coisa que pudesse trocar pelo ingresso. A bilheteria abriu. O primeiro da fila era o Thiago.
– Eu tenho um lápis. – disse entregando um lápis de cor branco.
A bilheteira-palhaça-professora examinou o lápis e olhando para o Thiago disse com um leve sorriso:
– Muito original! Aqui está o seu bilhete. Aguarde na fila em frente à porta do Circo.
Colocou o lápis em uma caixa sobre a mesa, ao lado da bilheteria e continuou:
– Próximo!
– Eu tenho um apontador para o seu lápis.
– Interessante!
E assim a fila seguiu...
– Próximo!
– Uma colher de plástico de festa de aniversário.
– Uma caneta sem tinta.
– Um laço de cabelo.
– Uma bolinha de papel.
– Um anel.
– Um desenho.
Estava chegando a minha vez...
– Próximo!
Era eu.
– O que você tem pra mim, garoto?
– Não sei se a senhora vai aceitar como pagamento... mas eu gostaria de lhe dar um beijo.
– E como eu não poderia aceitar!
Dei um beijo na bochecha da professora-palhaça-bilheteira, ela me entregou o ingresso e quando eu estava me virando ela disse:
– Espere!
Eu me voltei para ela, que falou:
– Você não pegou o troco. – disse isso abrindo os braços.
Eu fui até ela e recebi um grande e gostoso abraço.
– Agora pode ir.
Fiquei emocionado!
– Próximo!
Fui para a fila e fiquei esperando com meus colegas. Estávamos ansiosos para ver o que nos aguardava.

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