Antes de deixarmos nossos
lugares, o professor pediu que procurássemos embaixo de nossas
poltronas-cadeiras um envelope. Quem encontrou foi a Gabriela. O professor deu
as últimas instruções antes de deixar a sala, quero dizer, o avião.
Gabriela abriu o envelope e
leu o que estava escrito nele – era uma pista que nos levaria para o destino
daquela viagem – dizia: “ao norte do Cruzeiro do Sul, encontrarão o guia que os
levará nessa expedição.”
– O que isso quer dizer? -
perguntou Fabrício.
E todos começaram a falar ao
mesmo tempo.
– Eu sei!
Todos pararam para ver quem
tinha dito aquilo, inclusive eu.
– Eu sei... - repetiu Ana
com a voz quase sem som.
– Então fala.
– Temos que seguir o
Cruzeiro do Sul.
Todos voltaram a falar ao
mesmo tempo.
Elizabeth, a menina mais pop
da turma, mostrou seu domínio levantando o braço e dizendo “SILÊNCIO!”. Todos
pararam e voltaram a atenção para ela; eu também. Ela olhou com ar de poderosa
para Ana e disse:
– E como vamos seguir o
Cruzeiro se ele só pode ser visto à noite?
Ana não disse nada, apenas
caminhou até a porta.
Elizabeth soltou aquele
sorriso debochado, que desapareceu sem graça quando Ana abriu a porta.
Lá estava ele, fixado na
porta pelo lado de fora, o símbolo da Cia Aérea Santos Dumont, o Cruzeiro do
Sul.
Todo mundo cumprimentou a
colega, quer dizer, quase todo mundo.
A questão era saber agora
pra que lado seguir, onde ficava o norte?
Não demorou pro Jr. dar a
resposta, ele estava sempre conectado. “O braço mais extenso serve para
identificar o Polo Sul”.
Fim do mistério, era só
seguir o sentido contrário. E lá foi toda a turma.
No caminho encontramos mais
três Cruzeiros: um em uma bandeira, outro desenhado com giz no chão e o último
no teto da área coberta que ficava no térreo. Atravessamos o pátio e
encontramos uma caixa. Nela estava escrito: “abram a tampa sem movimentar a
caixa para não mudar a posição do último Cruzeiro”.
Abrimos a caixa com todo
cuidado, e o Cruzeiro no fundo dela apontava de volta para a área coberta.
Quando nos viramos, lá estava ele: um índio!
Fomos até ele. Ele ergueu os
braços pedindo silêncio, e todos paramos para ouvi-lo, mas ele não falou nada!
Apenas com sinais, pediu que
sentássemos, e só depois começou a falar.
Disse que seu nome era Peri,
contou sobre sua tribo e apontando para o Cruzeiro no teto, falou sobre aquelas
estrelas. Foi demais!
Depois disse que nos levaria
até o acampamento.
Acampamento?
Seguimos nosso guia e
acabamos voltando para a mesma sala, que antes era um avião, mas o cartaz da
Cia Aérea não estava mais lá.
Peri deu três pequenas
batidas na porta. Ela se abriu. Era o professor Roberto, que sorriu para a
turma e disse:
– Sejam bem-vindos!
Entramos na sala. Ela estava
vazia. O professor pediu para largarmos as mochilas e sentarmos. Organizou a
turma em grupos de quatro e entregou uma barraca iglu para cada um. Era hora de
montar acampamento.
Quando o acampamento estava
finalmente montado, era hora do lanche coletivo. Uma delícia!
Depois disso, deitados no
chão, com a sala bem escura, o professor usou o teto como telão para projetar e
contar a história de planetas, estrelas e galáxias. Foi genial!
Nosso acampamento ficou
montado por mais vários dias. Voltamos para outras aulas: fauna, flora, lendas
e aventuras.
No dia que desmontamos tudo,
fizemos a viagem de volta: primeiro com nosso guia, depois no avião, até o
desembarque.
Eu não via a hora de chegar
em casa e contar tudo, mostrar todas as fotos, falar das coisas que aprendi.
Por que isso?
Porque a regra número um era
não contarmos nada em casa até a viagem terminar, como uma viagem de verdade.
Naquela noite, minha mãe fez
um jantar especial para me receber “de volta”.
Tivemos uma noite incrível!
E, depois de contar tudo,
distribuí os presentes de viagem - artesanatos que nós mesmos fizemos - tiramos
uma foto em família e fomos dormir felizes; eu, esperando a próxima viagem, não
do meu pai, mas da nossa turma.

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