QUEM SOU EU?
– Professora!
– Sim!? – respondi sem me voltar e
continuei escrevendo no quadro.
– Professora!
– Pode falar. – novamente respondi
sem me voltar.
– Nada não.
Ouvi o som de uma movimentação
suspeita e então me voltei. José Antônio tinha virado sua carteira e sua
cadeira e estava sentado de costas para o quadro. Os colegas riram, eu subi o
tom...
– JOSÉ ANTÔNIO!
– Sim!? - ele respondeu de costas.
– Olhe pra mim quando eu falar com
você!
– Não posso!
– Não vou falar de novo!
– Só tô fazendo que nem a senhora me
ensinou!
O silêncio da turma foi
ensurdecedor. Todos os olhinhos voltados para mim, aguardando o desfecho
daquela cena.
Em
flashback pude me ver mais jovem,
dando aula para a minha primeira turma: olhos nos olhos para falar, atenção com
o que me era dito, empatia; em que momento eu havia perdido isso?
Caminhei
lentamente até o seu lugar, parei na sua frente, me abaixei, busquei seus
olhos, ele encontrou os meus, e eu lhe disse:
–
Obrigada, por me lembrar quem eu sou!
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