Comecei
minha carreira, cheio de sonhos, verdades e vontades.
Eu
acreditava que poderia mudar o mundo.
Olhava
para colegas desempenhando sua função, sem grandes expectativas ou esperanças,
e aquilo me incomodava, porque pensava que se havia insatisfação, que mudassem
de profissão, deixassem para aqueles, que assim como eu traziam em si a força
da mudança.
Durante
muitos anos, acumulei experiências e projetos de sucesso, que causaram prazer
em mim e nos meus alunos e que deixaram marcas positivas em todos nós.
Mas,
aos poucos, fui permitindo pequenas interferências nas minhas convicções e o
brilho com que atuava já não era tão intenso, as luzes que iluminavam o palco
desse espetáculo chamado Educação, lentamente estavam sendo baixadas, e tudo o
que eu esperava era o momento do blackout
para que pudesse sair de cena.
Assim
os dias se sucediam, e ao iniciarmos um novo ano, a questão era: mais um ano,
ou menos um ano?
Estava
contando os dias para o final do ano, e depois de mais uma aula comum, ouvi o
que faria eu acordar: “eu odeio língua portuguesa!”.
O
impacto que isso causou em mim foi épico, catártico, implosivo.
Eu,
que tanta alegria já havia proporcionado, agora estava causando dor.
Angústia
– foi o que senti.
Recomeçar
– foi o que decidi.
Reencontrei
a mim mesmo.
Hoje,
não penso mais em mudar o mundo, quero tocar corações.
Hoje, me sinto mais vivo do que
nunca!

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