Era véspera do início de mais um ano
letivo.
– Profi Cris?
– Sim!
– Posso lhe dar um abraço?
– É claro!
Nos abraçamos longa e afetuosamente.
– Acho que a senhora não lembra de
mim; já faz uns vinte anos... Eu sou a Ana...
– Clara Jardim.
– A senhora lembra de mim?
– Pode ter certeza que sim.
– Sempre lembro de como a senhora
foi importante para mim no meu primeiro dia de aula; eu estava apavorada, a
senhora segurou minha mão e disse...
– Eu sei como você está se sentindo,
porque eu também estou apavorada.
– E eu perguntei; é o seu primeiro
dia também?
Nós duas sorrimos um sorriso de
lembrança boa.
– Eu respondi que sim, e pedi sua
ajuda, e você me ajudou. Por isso nunca esqueci de você.
– A senhora tá me dizendo que aquele
era realmente o seu primeiro dia?
– Como professora? Sim.
Nos abraçamos novamente. Desta vez
com um novo significado, o da gratidão. Ao nos separarmos, Ana ficou segurando
as minhas mãos e disse:
– Amanhã também vai ser meu primeiro
dia.
Olhei fixamente para ela tentando
adivinhar e arrisquei...
– Como professora?
– Isso mesmo!
Mais um abraço carinhoso.
– Eu tô apavorada! Acho que mais do
que aquele dia.
– Manhã ou tarde? - perguntei.
– Manhã.
– Eu estarei lá.
– Jura?
– Pode ter certeza.
Aquele foi mais do que um abraço,
foi a confirmação de que havia feito a escolha certa no dia em que decidi ser
professora.

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