AS CORES DA CONTAÇÃO
A
rua, repleta de pessoas apressadas, cada uma dentro da sua própria história.
Eu,
perdido em meio ao movimento das ondas humanas, que me levavam de um lado para
o outro, como um náufrago, buscava desesperadamente algum destroço da
embarcação ao qual pudesse me agarrar.
Onde
estariam os Contadores? Por detrás de qual dos rostos estariam escondidos,
assim como eu? Como reconhecê-los?
Aquele
foi mais um dia que me distanciava ainda mais de quem eu era, ou pensava que
era.
A
cidade perdia suas cores, o brilho da luz, cada vez mais opaco, tornava a
paisagem e os sorrisos sombrios.
A
tristeza estampada nos olhos de quem transitava, refletiam os meus mais íntimos
sentimentos.
Como
foi que cheguei a esse ponto da história?
Talvez
fosse a hora de aceitar o fim dessa narrativa...
Ou
não!
O
telefone tocou.
Abri
minha pasta executiva para atender a ligação.
Mais
um toque.
Com
a mão enfiada dentro dela, vasculhei seu interior na busca do aparelho.
Outro
toque.
Minha
mão parou ao envolver um objeto, que me pareceu familiar, mas que com certeza
não era um celular e, após uma breve hesitação, deslizou para fora da pasta,
revelando o que até então era apenas uma suspeita.
Outra
vez o telefone me chamou.
Em
um mergulho certeiro, minha outra mão foi ao fundo e trouxe consigo o aparelho.
Eu
conhecia o número e sabia do que se tratava, mas eu também sabia que teria que
escolher somente o que uma das mão segurava.
Ergui
os olhos mais uma vez e contemplei o quadro que se passava a minha frente...
Com
que cores eu queria pintar essa tela?
Eu
sabia a resposta.
Desliguei
o celular e guardei-o novamente na pasta.
Agora,
com as duas mãos, segurei aquele que foi o primeiro objeto “mágico” que usei em
uma contação: um óculos para enxergar a imaginação.
Eu
seria capaz de usá-lo novamente?
Pode
apostar que sim!

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