terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Episódio 4 - Vol 2 - O Campeão


O CAMPEÃO

            Por que vencer é tão importante?

            E o que é vencer?

            Por que temos que competir ao invés de nos ajudarmos?

            Por que o objetivo dos jogos é sempre a vitória, a conquista, o 1º. lugar?

            E se o desafio do jogo fosse levar todos à vitória?

            Se a única forma de ganhar fosse com a vitória de cada um?

            “Isso já tem nome professor, se chama jogo de equipe.” – foi o que disse o Jr.

            O professor então explicou que não se tratava de um jogo de equipe, que cada um representaria a si mesmo, mas que o desafio estava em vencer os obstáculos e chegar ao topo não deixando ninguém para trás.

            “Trabalho em equipe!” – repetiu Jr.

            Uma equipe tem o objetivo de vencer outra equipe, nós não estaremos competindo contra ninguém.

            “Como um grupo que vai escalar uma montanha?”

            Em uma escalada, todos ajudam todos até o limite da força de cada um, mas nem todos chegam ao topo. No nosso desafio, cada um terá sua própria montanha, sua conquista particular, mas para que eu chegue ao topo, é preciso que o outro também consiga. – respondeu o professor.

            “E qual a graça disso?” – dessa vez foi a Lívia quem perguntou.

            Vencer.

         “Mas se não é uma competição, a gente vai vencer quem?” – achei que agora o professor estava enrolado, mas ele disse o seguinte:

            Vocês vão lutar contra o maior de todos os desafios: tornar todos vencedores, fazer com que cada um chegue ao topo da montanha.

           “E o que a gente ganha com isso?” – tinha demorado pra alguém perguntar isso, mas esse era o Geremias.

            O que você quer ganhar?

            “Um 10!”

            Fechado.

            A turma ficou animada!

            O professor desenhou no chão uma escala vertical dividida em dez partes e explicou que cada parte corresponderia a um ponto de nota, mas que, após o aluno vencer seu desafio e pontuar, só poderia marcar o próximo ponto depois que os demais também tivessem marcado os seus.

            A turma ficou meio dividida.

            O professor então reuniu os que aceitaram o desafio e falou conosco: o primeiro ponto seria conquistado se todos aceitassem participar e nós teríamos que convencê-los sem chantagem, ameaças ou compra da participação.
            Foi um ponto fácil.
            Mas descobrimos em seguida que, se alguém desistisse a partir dali, a pontuação que tivéssemos, coletivamente, seria a nossa nota.

            Tivemos que nos ajudar muito, porque alguns não tinham a menor habilidade para determinadas tarefas, o que nos fazia ensinar, ajudar, incentivar e, principalmente, não deixar que ninguém desistisse.
            Tínhamos até o final do trimestre para chegar ao topo, mas conseguimos alcançar apenas a sexta divisão da escala – mal passamos do meio.
            “Queremos continuar!” – Lívia foi a porta-voz da turma.
           
            A nota está fechada. – foi a resposta do professor.

            “Não vamos fazer pela nota.” – acreditem, foi o Geremias quem disse isso!

            Estão todos de acordo?

            Todos respondemos que sim.
            Estávamos de volta ao “jogo”!
            E dessa vez só iríamos parar quando chegássemos ao topo; todos juntos.

          A propósito, isso tudo aconteceu nas aulas de Educação Física – o professor era fera!
            E foi nosso Paraninfo na conclusão da 9ª. série.
            Valeu, sor!

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