Por
que vencer é tão importante?
E
o que é vencer?
Por
que temos que competir ao invés de nos ajudarmos?
Por
que o objetivo dos jogos é sempre a vitória, a conquista, o 1º. lugar?
E
se o desafio do jogo fosse levar todos à vitória?
Se
a única forma de ganhar fosse com a vitória de cada um?
“Isso
já tem nome professor, se chama jogo de equipe.” – foi o que disse o Jr.
O
professor então explicou que não se tratava de um jogo de equipe, que cada um
representaria a si mesmo, mas que o desafio estava em vencer os obstáculos e
chegar ao topo não deixando ninguém para trás.
“Trabalho
em equipe!” – repetiu Jr.
Uma
equipe tem o objetivo de vencer outra equipe, nós não estaremos competindo
contra ninguém.
“Como
um grupo que vai escalar uma montanha?”
Em
uma escalada, todos ajudam todos até o limite da força de cada um, mas nem
todos chegam ao topo. No nosso desafio, cada um terá sua própria montanha, sua
conquista particular, mas para que eu chegue ao topo, é preciso que o outro
também consiga. – respondeu o professor.
“E
qual a graça disso?” – dessa vez foi a Lívia quem perguntou.
Vencer.
“Mas
se não é uma competição, a gente vai vencer quem?” – achei que agora o
professor estava enrolado, mas ele disse o seguinte:
Vocês
vão lutar contra o maior de todos os desafios: tornar todos vencedores, fazer
com que cada um chegue ao topo da montanha.
“E
o que a gente ganha com isso?” – tinha demorado pra alguém perguntar isso, mas
esse era o Geremias.
O
que você quer ganhar?
“Um
10!”
Fechado.
A
turma ficou animada!
O
professor desenhou no chão uma escala vertical dividida em dez partes e explicou
que cada parte corresponderia a um ponto de nota, mas que, após o aluno vencer
seu desafio e pontuar, só poderia marcar o próximo ponto depois que os demais
também tivessem marcado os seus.
A
turma ficou meio dividida.
O
professor então reuniu os que aceitaram o desafio e falou conosco: o primeiro
ponto seria conquistado se todos aceitassem participar e nós teríamos que
convencê-los sem chantagem, ameaças ou compra da participação.
Foi
um ponto fácil.
Mas
descobrimos em seguida que, se alguém desistisse a partir dali, a pontuação que
tivéssemos, coletivamente, seria a nossa nota.
Tivemos
que nos ajudar muito, porque alguns não tinham a menor habilidade para
determinadas tarefas, o que nos fazia ensinar, ajudar, incentivar e,
principalmente, não deixar que ninguém desistisse.
Tínhamos
até o final do trimestre para chegar ao topo, mas conseguimos alcançar apenas a
sexta divisão da escala – mal passamos do meio.
“Queremos
continuar!” – Lívia foi a porta-voz da turma.
A
nota está fechada. – foi a resposta do professor.
“Não
vamos fazer pela nota.” – acreditem, foi o Geremias quem disse isso!
Estão
todos de acordo?
Todos
respondemos que sim.
Estávamos
de volta ao “jogo”!
E
dessa vez só iríamos parar quando chegássemos ao topo; todos juntos.
A
propósito, isso tudo aconteceu nas aulas de Educação Física – o professor era
fera!
E
foi nosso Paraninfo na conclusão da 9ª. série.
Valeu,
sor!

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