O VERDADEIRO CONTADOR
O que torna o desenho de uma criança
tão especial?
Observe a mistura das cores.
A força.
A intensidade.
A energia que existe por trás de
cada traço, em cada camada de cor, em cada movimento.
Observe a relação que existe entre
ela e a palheta que você não vê.
Eu explico.
Quando crianças, nossa capacidade
sensorial para perceber a luz que há em cada cor é plena.
O
olho de uma criança consegue captar além do que o olho de adulto pode ver.
Por
que perdemos isso?
Por
fatores biológicos e, principalmente, emocionais.
Isso
acontece também com a música e com nossa relação com as histórias que ouvimos,
porque antes de aprendermos a ler, ouvimos.
Algumas
pessoas são capazes de preservar essas faculdades, e isso explica a genialidade
de alguns artistas.
Quadros
que encantam gerações, muitos deles até bem “simples”, mas que trazem consigo a
luz que o artista, com o olhar da criança e a técnica do adulto, foi capaz de
reproduzir para que o olho do homem que deixou esquecido na infância o
encantamento da vibração que o belo transmite, pudesse reencontrar nesse
contato, a sensibilidade que um dia já vivenciou.
Por
isso, os artistas que são capazes de transmitir essa energia, são aqueles que
produzem o que chamamos obra de arte.
Isso
também ocorre com a contação.
O
verdadeiro Contador, carrega consigo não apenas uma história que tira de dentro
da mala, ele traz impressa na alma, as páginas que registram mais do que uma
narrativa ficcional, porque ele acredita, ele vive, e ao fazer isso, ele as
torna real.
Em
que momento deixamos, perdemos ou negamos a pureza e a autenticidade das nossas
emoções?
Em
que momento deixamos de ver, sentir e acreditar?
Eu
sabia que as respostas estavam em mim mesmo; mas como encontrá-las?
Eu
precisa voltar à Cidade dos Contadores, mas para isso, antes era preciso
reencontrar o caminho que levava a ela.

Nenhum comentário:
Postar um comentário